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D?j? Morta

Posted by San Diegirls on May 28, 2010 at 11:27 AM Comments comments (0)



Título: Déjà Morta

Autor(a): Kathy Reichs

Editora: Record

Número de páginas: 492


Antes de sair para seu fim-de-semana, Tempe Brennan, antropóloga forense que trabalha para o Laboratório de Medicina Legal de Montreal, visita o local onde foi encontrado um corpo decapitado. Logo liga este cadáver ao de outra vítima de assassinato. Fica evidente que os restos mortais mutilados de várias mulheres apresentam traços característicos de um maníaco sexual assassino. Ainda assim, ela não consegue convencer a polícia de que os casos estão interligados.


Disposta a evitar outros assassinatos brutais, Brennan começa a vasculhar, em busca de pistas, os terrenos onde foram descobertos os corpos, sempre enfiados em sacos plásticos. Quando uma cabeça de mulher é encontrada em seu próprio jardim, a investigação de Tempe se torna pessoal. Arriscando a própria vida , ela decide seguir até o fim de suas investigações para encontrar o criminoso.


Talvez Déjà Morta seja um livro que a maioria de nossos leitores e leitoras não estejam acostumados a ler. Classificado como romance policial, a longa série que acompanha parte da vida da antropóloga forense Dra.Temperance Brennan destoa de tudo que já foi resenhado por nós (apesar de não ser meu primeiro livro do gênero). A começar pela idade da heroína, que é mãe de uma universitária de 19 anos.


Temperance Brennan é uma mulher complexa, profunda. Aos seus 40 e tantos (como uma lady,Tempe não revela sua idade), ela vem de um casamento desfeito,um histórico de alcoolismo, e literalmente lida com mortos todos os dias. O crescimento da personagem acontece da mesma forma que nós conhecemos uma pessoa: timidez inicial e maior inibição conforme nos tornamos mais íntimos. Há quem possa desistir do livro logo no início, porque Tempe pode passar a impressão de, bem, uma tiazona. Mas à medida que a conhecemos melhor, nós vemos que ela só viu um pouquinho mais do mundo, se comparada a nós.


Brennan tem os mesmos complexos de belezas que nós, adolescentes ou jovens saindo da adolescência, temos. Protela seu trabalho assim como protelamos um artigo da faculdade, ou uma atividade do colégio. Faz exercícios físicos, mas regularmente se rende ao cheeseburguer e à coca-cola. E, passados anos desde que realmente esteve com alguém, sua libido está tão acesa quanto a de garotas de 17 anos. E quanto mais a conhecia, mais comprovava a teoria de que nós, mulheres, somos iguais aos homens: nós não amadurecemos. Somos, pra sempre, a mesma adolescente insegura, chorona e altamente inlfuenciável por hormônios sexuais que fomos quando completamos 16 anos. Além disso, Brennan pode, realmente, kick ass como muitos homens grandalhões não conseguem.


E aí você me pergunta onde está o seu par romântico. E isso pode ser uma surpresa pra você leitor, mas ela não tem. Quer dizer [SPOILER], tem, mas vamos dizer que seu apetite sexual não é saciado em Deja Morta [SPOILEROFF]. Claro, o sexy Andrew Ryan, um detetive de homicícios da polícia local de Quebec, demonstra um interesse em Brennan, e é correspondido, mas as ações que ocorrem durante a investigação do assassinato esgotam Tempe tanto física quanto emocionalmente (apesar de eu concordar que ela precisava relaxar, se vocês me entendem).


Outro aspecto interessante do livro é sua linguagem, muito informal, podendo ser chula. Claro, como um romance policial, os níveis de testosterona dos homens combatendo assassinos e maníacos sexuais chega a patamares astronômicos, mas ao invés de atrasar a fluidez do livro e torná-lo brega, as metáforas brutas, os palavrões soltados aqui e ali conferem realidade às personagens, além de garantirem uma boa risada. Até mesmo Dra.Brennan, com seu conhecimento técnico-científico, se permite ser menos lady e mais bruta perto dos rapazes das polícias de Montreal e de Quebec.


Agora, se você é como eu, ávido por conhecimento científico, tem um nicho para você nessa série também. Kathy Reichs utilizou toda sua experiência como antropóloga forense e condensa-a, mostrando sua área de forma simples e atraente (influenciando até mesmo minha escolha profissional). Há longas descrições anatômicas e histológicas do corpo humano, bem como mini-aulas de antropologia forense e técnicas investigativas. Por exemplo, seu primeiro artigo publicado na Revista de Antropologia, sobre a determinação da idade e do sexo pelas suturas cranianas ajudaram a Dra.Brennan da ficção a identificar um bebê achado entre pedras de um rio.


“Deja Dead” valeu cada viagem em livrarias à sua procura, cada centavo gasto, cada capítulo de anatomia ignorado (ai minha nota!). Kathy apresenta verdadeiras poesias em suas interpretações da sociedade em que Dra.Brennan vive, por vezes utilizando metáforas anatômicas e fisiológicas para descrever os elementos humanos da sociedade. Além disso, Kathy já participou de diversas expedições ao redor do mundo identificando vítimas de catástrofes, e é aclamada como uma das melhores antropólogas forenses do mundo. Todos os seus livros viram best-sellers imediatos (acreditem, até aqui, em Manaus, eles vendem muito. A pré-venda do novo livro da série, 206 bones, já está esgotada, e o livro é previsto para agosto!).


E caso vocês estejam se perguntando (eu sei que existem muitos fãs de Bones por aí!) , a Temperance Brennan da série Bones, criada por Hart Hanson, foi apenas levemente baseda na Temperance Brennan de Kathy Reichs. Elas compartilham o mesmo nome, o mesmo emprego, mas a Brennan de Bones seria a versão televisiva de Kathy. Eu poderia comparar as duas, mas aí mataria os leitores de tédio (haha, piada interna de fãs de Bones).

 


5 estrelas

Resenha por Gabriela Gani


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