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Alice

Posted by San Diegirls on April 21, 2010 at 6:51 PM Comments comments (1)



Título: Alice

Autor(a): Lewis Carroll

Número de páginas: 303*

Editora: Zahar*

*Existem várias edições de Alice, por várias editoras – essa foi a edição que eu li, por isso botei os dados dela.


Todo mundo conhece a história de Alice, nem que seja só pelo desenho da Disney. Na verdade são dois livros, “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá” (pra quem já viu o desenho, os dois livros foram misturados pra formar aquela história).


No primeiro, Alice segue o Coelho Branco e cai numa toca de coelho, chegando ao País das Maravilhas, onde “somos todos loucos”, segundo o gato sorridente. No País das Maravilhas todos os animais falam, e tudo, por mais absurdo que seja, é possível. Alice diminui e aumenta de tamanho repetidamente, toma chá com uma lebre, um chapeleiro e um caxinguelê, joga croqué com a rainha e participa do julgamento de uma carta de baralho acusada de roubar tortas.


Alice é uma criança inocente e amigável que confia em todos que encontra, e independente e inteligente o bastante pra saber o que fazer em situações tão bizarras quanto as que ela enfrenta no País das Maravilhas. Por outro lado, como é um sonho dela, em teoria ela está “no comando” da situação – tanto quanto é possível controlar sonhos.


O livro passa a impressão de que Alice, na verdade, é a adulta da história. Apesar de na verdade ter só 7 anos, é mais madura do que a maioria dos personagens, por exemplo, o Chapeleiro Louco e a Lebre de Março. Ou a Rainha, que é uma criança bem mimada, daquelas que têm um ataque de birra se você não fizer o que ela quer (ou pelo menos convencê-la de que fez). Até mesmo a Lagarta, que dá conselhos a Alice, é uma criança ainda – um dia será uma borboleta adulta.


Em Através do Espelho, ela atravessa o espelho da sala onde está e vai parar num lugar onde tudo é a imagem espelhada do que existe no nosso mundo. Livros, objetos, até mesmo as distâncias. Em um ponto do livro, Alice tenta chegar a um morro e a Rainha Vermelha diz que, se ela quer chegar lá, tem que andar na direção oposta. Desse espelhamento é possível relacionar o mundo de trás do espelho com a anti matéria – nesse caso, seria impossível que Alice tocasse qualquer objeto de lá sem que ocorresse uma explosão gigantesca, já que ela é do nosso universo, e, portanto, matéria. Junte isso ao fato de que a história se passa num tabuleiro de xadrez gigante e você tem provavelmente a história infantil mais nerd do mundo. E eu amo isso.


Alice é consistente com o que se sabe dela do outro livro, mas dessa vez não é a única adulta. Alguns personagens, como as rainhas e o cavaleiro branco, lhe dão ordens e conselhos mais maduros.


O fato de a história inteira ser contada como um grande jogo de xadrez (com algumas regras estranhas, verdade, mas ainda é válido) e de todos os personagens que Alice encontra serem peças do jogo é simplesmente genial. Ela começa como um peão e, ao fim do livro, torna-se uma rainha (o que pode ser uma metáfora de Carroll para o crescimento da Alice real, sua amiga criança).


As pessoas de trás do espelho também têm a melhor lógica que já vi, e levam tudo bem ao pé da letra, o que é muito interessante de se pensar. Por exemplo, quando um dos reis pergunta a Alice quem ela vê na estrada, e ela responde “ninguém”, o rei lhe responde que gostaria de ter a visão aguçada o bastante a ponto de ver Ninguém (também lembra a história do ciclope Polifemo, mas vou tentar manter um foco aqui). Isso leva a várias passagens e considerações sobre lógica e palavras em geral, o que deixa o livro mais interessante ainda, principalmente a versão comentada.


Alice é um clássico infantil que trata as crianças como seres inteligentes e capazes de apreciar nonsense; além disso, é provavelmente um dos primeiros contos de fadas que não dariam pesadelos em crianças pequenas. E ainda abre discussões sobre tudo, desde lingüística até teorias da física, passando pela psicologia, sendo objeto de estudos adultos até hoje. Em resumo, apreciável pela família inteira. Uma constelação pra ele.


5 estrelas


Resenha por Ana Carla



p.s.: Pra aumentar um pouquinho a ansiedade de todo mundo pelo filme que sai essa sexta, dia 23, aqui no Brasil, taí o trailer! Quem vai surtar no cinema levanta a mão! o/

 

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