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O gato Subiu no Telhado

Posted by San Diegirls on April 7, 2010 at 4:25 PM Comments comments (0)



Título: O Gato Subiu no Telhado

Autor(a): Moisés Liporage

Editora: Rocco

Número de Páginas: 206


Tony Pasmado é um cara relativamente comum. Órfão, mora com sua tia Franceska e seus 57 gatos, e é o responsável por cuidar dos animais. O problema é: Tony tem ódio de gatos. E uma ligeira fobia também, com alguma tendência a paranóia. Até o dia em que ele cruza o caminho de um camelô-pregador de rua-taxidermista-macumbeiro e acaba se transformando no objeto de seus pesadelos... Com sete vidas e tudo.




A premissa do livro me atraiu à primeira vista. Um cara que se transforma no animal que mais odeia e tem que aprender a lidar com isso? Já me veio à cabeça uma jornada de aprendizado e redenção com direito a trilha sonora e tudo (o que não é tanto exagero quando se considera que o autor utiliza muitas analogias cinematográficas). A vontade de ler aumentou ainda mais quando vi a seguinte frase na contracapa do livro: “combina elementos do horror urbano de Stephen King, o clima de realidade alternativa da série de TV Além da Imaginação (...), e o humor escalafobético do diretor Tim Burton.” Comparou ao Tim – eu tinha que ler.


Só acontece que não é exatamente isso. A propaganda e a premissa são ótimas – mas a história poderia ser melhor. Vamos por partes.


Começando pelo seguinte: por ser da divisão “Jovens Leitores”da Rocco, e ter na capa um gato de desenho, pode atrair leitores mais jovens, crianças mesmo. Ok, provavelmente eles não passariam do primeiro capítulo, já que o livro tem um vocabulário complicado às vezes, mas também pode ocorrer essa idéia a adultos. Então, se você viu a capa e pensa em comprar para seu filho/sobrinho/afilhado/primo/irmão mais novo/o que quer que seja, é melhor dar uma lida antes de decidir. Como já dito, o vocabulário é um pouco difícil (o que não é um ponto ruim, só um problema para leitores com menos experiência), e Tony é um adulto, logo, faz coisas de adulto (e minha explicação pára aqui).


Tony, nosso personagem principal, é um grande limão. Ele é um adulto azedo e que culpa o mundo pelas suas desgraças. Ok, a tia e seus gatos. E qualquer gato que encontre no meio da rua. Ainda assim, tem horas que dá vontade de sacudi-lo e gritar “cresça e tome uma atitude!”. A tia aparece relativamente pouco, mas nos mostra que realmente não é fácil morar com ela desde criança; ainda mais quando ela se importa mais com os gatos do que com o sobrinho.


O personagem que achei mais interessante foi justamente o camelô que tenta vender animais empalhados a Tony, e que é responsável por sua “transformação”. Ele me pareceu o mais “burtoniano”, digamos assim.


A narrativa varia entre simples e rebuscada, com palavras com jeito de livro antigo e gírias convivendo nos parágrafos. Por exemplo, a palavra “escalafobético” é usada com certa freqüência, e Tony se refere a Cândida como sua “peguete”. Essa mistura dá um ar de graça ao livro, como se ele não se levasse tão a sério como a gente pensaria. E os diálogos são acreditáveis, ou seja, o veterinário fala como um veterinário real falaria, e o pitboy fala como um pitboy real.


O livro tem um ritmo estranho, talvez intencional, talvez não. Antes da transformação, ele é bem lento. Leva muito tempo pra história se desenrolar e realmente “acontecer”; quando Tony está em “modo gato”, a história passa a ter um ritmo mais rápido, como se ele estivesse sempre correndo (o que não é muito longe da verdade).


No geral, é um livro interessante na premissa, mas nem tanto na execução. E sinceramente, o final me decepcionou. Duas estrelas pra ele.


Resenha por Ana Carla

 



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