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Senhora

Posted by San Diegirls on March 21, 2010 at 8:18 PM Comments comments (0)

Título: Senhora

Autor(a): José de Alencar

Editora: Martin Claret*

Nº de páginas: 238


  Aurélia é uma moça pobre, órfã de pai, que vive sozinha com sua mãe costureira no Rio de Janeiro do fim do Segundo Império. Ela se apaixona por Fernando Seixas, funcionário público ambicioso, e a ele entrega seu coração. Seixas, porém, prioriza a situação financeira em vez do amor, e pede outra mulher, mais rica, em casamento. Para piorar a situação, a mãe de Aurélia morre, deixando-a sob os cuidados de seu tio Lemos.


  Algum tempo depois, Aurélia recebe a herança de seu avô – que antes não a reconhecia por causa de sua situação social – e ascende socialmente. Então, para vingar-se, ela pede a seu tio Lemos que acerte o seu casamento com Fernando Seixas por um dote muito mais alto que o que ele conseguiria com sua noiva, e impõe apenas uma condição: Seixas só poderá conhecer sua noiva no dia do casamento. Seixas aceita a oferta, e no dia do casamento deles, Aurélia revela todo o seu plano e finalmente tem a sua vingança. Ela o comprou como a uma mercadoria, e ele vendeu-se.


  Seixas decide que vai trabalhar feito um condenado até conseguir o dinheiro com que fora comprado, para assim comprar sua liberdade com o divórcio. Porém, a vida de casado vai transformar os dois de formas que nem eles imaginavam.




 

  Antes de tudo, quero avisar que esta resenha tem o objetivo de fazer com que você queira ler o livro, e não te dar um resumo do livro. A maioria das pessoas que conheço, principalmente os adolescentes, tem calafrios só de ouvir falar em José de Alencar, e muito deles não lêem as obras do autor por puro preconceito. Ok, José de Alencar não é meu autor preferido, e admito que só o li porque minhas professoras (e o vestibular) mandaram, mas quando finalmente consegui deixar meu preconceito de lado, eu acabei gostando dos livros.


 

  Eu gostei muito de Senhora (com uma ressalva, que comentarei no fim do post). É basicamente uma história de amor com uma boa pitada de sarcasmo. Vendo dessa forma, você nem acredita que é um livro de um cara que vive no século XIX e que é considerado um clássico da literatura brasileira hoje, não é mesmo? Pois Zezinho é muito sarcástico e muito romântico.


 

  Aurélia é uma mulher “à frente de seu tempo”. Ela vê tudo de podre na sociedade. Depois de ter entregado seu coração e quase ter entregado sua vida a um homem e ser trocada por causa de sua situação financeira, digamos que ela aprendeu algumas situações valiosas sobre o que é importante na vida o que não é. Ela observa como os homens que antes a desprezariam, agora a idolatram, porque ela é rica e mora num bom bairro, etc. Ela trata toda a hipocrisia da sociedade do Rio de Janeiro com a mais fina ironia. Aurélia, para uma mulher do século XIX, é uma heroína! Ela não é submissa, nem ignorante, nem se deixa diminuir por nenhum homem (ou pessoa que se julgue mais rica e importante).


 

  Fernando Seixas é um idiota. E não me venha com mimimis. Ele verdadeiramente era apaixonado por Aurélia, mas veja bem, ele precisava de dinheiro. Seixas vive de aparências, posando de rico e de bom moço, enquanto em sua casa sua mãe e irmãs vivem na dificuldade. Contudo, ele é um amor com sua família, e contrai a maior das dívidas – ao aceitar o dote e casar-se com Aurélia – para custear o casamento da irmã.


 

  O livro é dividido em quatro partes: Preço, Quitação, Posse e Resgate. Os títulos são bem sugestivos. Na primeira parte, Aurélia vai descobrir que “todo” homem tem um preço, inclusive o seu. Na segunda parte, Seixas quita sua dívida com Aurélia ao casar-se (leia-se: vender-se) com ela. A terceira parte vai mostrar o casamento deles dois. A princípio, há uma relação de posse entre o casal, sendo que Aurélia é a Senhora e Seixas é o servo. Ele age como tal, sempre com a visão de que ele nada mais é que um escravo de Aurélia, mas, secretamente, ele vai dando seu jeito de “comprar sua liberdade”. A quarta e última parte mostra o resgate de ambos. Não quero estragar o final do livro para vocês, mas bom, é um livro romântico, então o final é bem previsível. Tanto Aurélia, como Seixas foram mudados durante o tempo que passaram juntos, cada qual sendo tratado no seu maior defeito. Eu diria que todo o drama que o livro narra foi necessário para que eles ficassem juntos e vivessem plenamente seu amor.


 

  O livro é bem escrito, inteligente e até divertido. Eu diria que “adorei” se não fosse pela última página! O fim do livro, mas digo o final mesmo, os últimos parágrafos, a última fala de Aurélia se não me engano, consegue estragar toda a admiração que eu tinha por Aurélia. Só digo que é um fim bem machista, porém romântico.


*As obras de José de Alencar são publicadas, hoje, por diversas editoras. Optei pela edição que li, que foi a edição de bolso da Martin Claret. A obra também está disponível para download gratuito no site Domínio Público.


Resenha por Isadora Cal


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