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Trilogia Fronteiras do Universo

Posted by San Diegirls on March 11, 2010 at 2:58 PM Comments comments (4)



Título: Fronteiras do Universo

Autor: Philip Pullman

Editora: Objetiva

 

Num universo paralelo ao nosso, Lyra Belacqua, uma menina que cresceu em uma universidade, descobre que algo chamado Pó existe (diferente daquele pó comum), e as pessoas adultas de seu mundo o odeiam, dizendo que é o culpado por todos os males e pela perda da inocência. Ela e seu daemon, Pantalaimon, resolvem investigar essa história quando o melhor amigo de Lyra é seqüestrado por uma organização que anda fazendo pesquisas sobre o tal Pó. Eles resolvem resgatar o amigo, e acabam numa missão pra desvendar o que é o Pó, e por que os adultos têm tanto medo dele. No segundo livro, ela ganha a companhia de Will Parry, um garoto que está à procura do pai, desaparecido desde que Will era um bebê. Lyra então deve ajudá-lo a achar John Parry, que pode ter informações interessantes para eles...

 



Philip Pullman é um gênio. Ele conseguiu unir teorias de física relativamente complexas, como a teoria do Multiverso, a idéias religiosas, e à perda da inocência de duas crianças, e criar uma história que prende o leitor e o transporta a diversos universos, com hábitos, humanos e criaturas diferentes. Ursos de Armadura que não só falam, mas também têm uma sociedade bem estruturada e muita habilidade com metais. Bruxas que podem ser as melhores aliadas ou as piores inimigas em uma guerra (e haverá uma, pode ficar certo), e que acreditam que há uma profecia sobre o destino de Lyra... Tudo muito bem explicado e conectado, com sua importância na história.

 

Lorde Asriel nunca deixa claro se é um herói ou vilão; Sra. Coulter também é ambivalente nesse aspecto. Você nunca sabe quem está certo ou errado, experimentando a mesma sensação de insegurança que Will e Lyra vivenciam durante a maior parte da trilogia. Lyra tende a confiar em todos, enquanto Will aprendeu há muito tempo a não confiar em ninguém. E um dos aspectos mais interessantes do livro é justamente que os personagens são humanos – todos têm seus defeitos e qualidades, fazem escolhas erradas às vezes, mas não são exclusivamente bons ou ruins. E os dois protagonistas não estão isentos disso.

 

Como uma boa geek, sou fascinada pelos universos paralelos citados no livro. Simplificando, funciona assim: cada vez que uma escolha é feita, ocorre uma “quebra” no universo onde isso acontece, e um novo universo surge, para acomodar a outra escolha possível. Por exemplo, se você jogar uma moeda para cima, ela só pode cair como “cara” ou “coroa”, não os dois. Portanto, quando ela cai “cara” no nosso universo, um outro universo idêntico ao nosso é criado onde a moeda caiu “coroa”. Por isso, existiriam infinitos universos paralelos ao nosso, cada um com seu grau de diferenciação, dependendo de quando essa “quebra” ocorreu. E isso é muito bem explorado nos livros, e é explicado neles também. Além de outras teorias físicas mencionadas posteriormente, inclusive o método de comunicação dos espiões galivespianos do terceiro livro – aquela teoria é real.

 

Voltando à narrativa, algumas pessoas têm problemas com a trilogia pelo seu teor religioso (ou melhor dizendo, anti-religioso). Sinceramente, não achei nada tão grave. Dependendo de como você leia e interprete, isso é. A beleza da literatura é justamente que dificilmente duas pessoas lerão algo e interpretarão da mesma maneira. Isso vai depender de toda a vida de quem está lendo, de como se relaciona com aquele assunto, qual sua importância na vida de quem lê, e por aí vai. Portanto, sem querer soltar spoilers aqui, posso dizer que sim, há algo de anti-religioso na trilogia. Isso fica claro. Mas eu tenho que concordar com alguns aspectos citados no livro – e mais, isso acontece em uma das dimensões paralelas, não na nossa. Mas, apesar de Pullman tratar a Igreja como o grande vilão por meio do Magisterium (pelo menos no primeiro livro), eu consigo ver o desfecho como algo que não ataca a Deus, ou à idéia de que existe sim alguém mais poderoso que nos ajuda, e também à idéia de que anjos estão por toda parte. Mais uma vez, não quero deixar spoilers aqui, portanto fecho essa discussão agora.

 

Outro aspecto que me conquistou na trilogia foi seu equilíbrio. Há bastante ação, mas também há romance, e bastante suspense. Como a narração não é presa a um só personagem, nós vemos vários aspectos da mesma situação, vários pontos de vista que ajudam a desenhar um quadro mais detalhado do que realmente está acontecendo. E é por esse equilíbrio em uma história com tantos lados diferentes e com tantas teorias de diversas fontes que Fronteiras do Universo leva minhas primeiras cinco estrelas. Isso e o fato de que eu realmente não parei de falar nesses livros por semanas meses depois de ler. E cada vez que releio percebo mais porque amo essa trilogia.

 


Livros da trilogia:

- A Bússola Dourada (ou De Ouro, em edições posteriores ao filme)

- A Faca Sutil

- A Luneta Âmbar


Resenha por Ana Carla


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