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O Clube do Filme

Posted by San Diegirls on February 10, 2010 at 3:08 PM Comments comments (0)



Título: O Clube do Filme

Autor(a): David Gilmour

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 239

 

David Gilmour, crítico de cinema desempregado e com o dinheiro contado, vivia uma fase complicada. Além disso, o filho de 15 anos colecionava reprovações em todas as disciplinas. Diante da falta de rumo daquele estudante perdido e despreparado, uma proposta paterna radical: o garoto poderia sair da escola – e ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel – desde que assistisse toda semana a três filmes escolhidos pelo pai, e com o pai. Assim surgiu o Clube do Filme...



 

Há um certo prazer vouyer em se ler um livro de não-ficção. Principalmente para alguém acostumada a ler ficções – em sua maioria fantasias–, pensar que aqueles personagens sobre os quais se está lendo são reais, e aquilo realmente aconteceu com eles é um tanto estranho e desnorteador no início.


Porém, mesmo os personagens sendo reais, no início do livro eles não dão essa impressão. Gilmour tem uma tendência de descrever pouco, e focar mais os sentimentos e as ações do que as aparências de personagens e locais. Ele demora, por exemplo, a dizer que estão no Canadá. Mesmo alguém que não gosta de descrições longas (como esta que vos escreve) pode se sentir um pouco incomodado com isso.


Isso muda quando ele passa a falar sobre filmes. Então ele comenta com detalhes, sobre pontos fortes e fracos, sobre diretores e atores, sempre tentando captar e prender a atenção do filho, Jesse. Sempre tentando extrair algo de bom do filme para mostrar ao adolescente, ainda que ele não tivesse certeza de que isso fosse realmente ajudar. A preocupação dele com o filho é constante e bem fundamentada, afinal, qual o futuro de alguém que sai da escola e passa a não fazer nada, a não ser ver filmes? E ele capta não só a atenção de Jesse, mas também a do leitor. Dá vontade de ver todos os filmes que ele recomenda...


Além disso, é durante os comentários dos filmes que Gilmour escreve algumas das melhores passagens do livro, sobre filmes e sobre a vida em geral. Alguns exemplos:


A questão, eu explico a Jesse, é que às vezes relativizamos nossas posições morais, decidimos o que é certo e errado dependendo da nossa necessidade num determinado momento. Jesse concorda; a idéia o envolve.” – pág.95


Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga." – págs. 187 e 188 (e pessoalmente, não só concordo, como acredito que o mesmo vale para livros.)


Apesar da escrita simples (com a exceção mencionada), a história consegue ser até envolvente. Acabamos nos preocupando com Jesse à medida em que ele vive, arranja empregos não tão bons, namoradas ruins, amigos um pouco melhores. E ao fim do livro, vemos que os filmes realmente ajudaram em seu amadurecimento, e chegamos a sentir um certo orgulho dele também. Como dito no início, um pouco vouyer.


No fim das contas, são humanos como nós – não salvam o mundo, não encontram passagens para outros universos, não vivem felizes para sempre; mas dão a impressão de que suas conquistas foram ainda maiores.

 


Resenha por Ana Carla


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