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Catching Fire

Posted by San Diegirls on September 6, 2010 at 11:11 AM Comments comments (0)



Título: Catching Fire

(Hunger Games #2 – ou seja, SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU O PRIMEIRO)

Autor(a): SuzanneCollins

Editora: Scholastic

Número de páginas: 391


Depois de tudo que aconteceu em Jogos Vorazes, Katniss gostaria que o mundo esquecesse dela. Seu ato desesperado com as frutas venenosas foi visto como um desafio à autoridade da Capital, e antes mesmo de começar o tour dos ganhadores (a primeira vez na história em que dois tributos sobreviveram), o presidente Snow faz uma visita a ela, para alertá-la do perigo de continuar com suas “atitudes rebeldes”. Segundo ele, ela deu início a um descontentamento em alguns distritos, que deve ser eliminado por Katniss durante o tour. Quando o Quarter Quell é anunciado, tudo fica ainda mais complicado. Será que nem como vencedora dos Jogos Katniss vai conseguir viver em paz?




 

Os Jogos ficaram para trás, e Katniss conseguiu sobreviver. Não somente ela, mas Peeta também está de volta ao Distrito 12. A família dela não precisa mais se preocupar com comida, já que como vencedora dos Jogos, Katniss agora faz parte da elite do Distrito 12, mora em uma casa melhor, e não precisa mais caçar para sobreviver. Final feliz, certo? Errado. Nunca subestimem Suzanne Collins.

 

Eles sobreviveram, sim, mas contra a vontade dos Gamemakers e do presidente. Isso é um desafio à autoridade da Capital, e eles devem ser punidos. Por isso, Katniss deve fazer o possível e o impossível para provar que agiu em um momento de desespero, por amar Peeta, e com isso diminuir os rumores de revolta nos distritos.

 

O segundo livro da série continua algum tempo depois do fim do primeiro, e segue no mesmo ritmo. Exceto por alguns momentos no começo, não há cenas paradas ou sem tensão. Talvez seja ainda mais tenso do que o primeiro, com esses rumores de revolução. E Suzanne continua fazendo você gostar de um personagem, para depois sofrer com o que acontece a ele.

 

Há alguns personagens novos bem interessantes, como alguns ganhadores de Jogos passados, que nos fazem perceber que ninguém sai dos Jogos sem mudanças. Haymitch não é exceção, mas mais provavelmente a regra; todos precisam de uma maneira de lidar com o que aconteceu na arena.

 

Com um final um tanto cruel para os leitores, Catching Fire deixa você desejando mais. Ainda bem que Mockingjay já foi lançado, ainda que só lá fora!


Infelizmente, ainda não há previsão de quando Catching Fire será lançado aqui no Brasil.


Resenha por Ana Carla

Suzanne Collins sobre os livros que ama

Posted by San Diegirls on August 13, 2010 at 10:58 AM Comments comments (0)

Foto: Todd Plitt


Bella quem? Esses dias só se fala em Katniss Everdeen, a estrela de 16 anos da imensamente popular série pós-apocalíptica de Suzanne Collins. Quando o primeiro livro, Jogos Vorazes, explodiu na cena literária em setembro de 2008, tornou-se um best-seller imediatamente. Stephenie Meyer escreveu em seu blog, “Eu estava tão obcecada por esse livro que tive que levá-lo comigo para um jantar e escondê-lo embaixo da mesa para que eu não precisasse parar de ler,” e Stephen King o resenhou para a EW, chamando-o de “um livro chocante e violento que gera suspense quase constante.”


Catching Fire, o segundo livro da trilogia, foi publicado com similar comoção em setembro de 2009, levando a Lionsgate a adquirir os direitos cinematográficos da série –apesar de ainda não se saber quem fará o papel de Katniss. Agora a Scholastic encomendou 1,2 milhões de cópias para a primeira edição de Mockingjay, que será lançado dia 24 de agosto. Então, parecia uma boa hora para fazermos nossa quiz literária com Collins.

 

Entertainment Weekly: Qual clássico você nunca leu – mas fingiu ter lido?

Suzanne Collins: Eu meio que li O Prefeito de Casterbridge, de Thomas Hardy. Deveria ter lido na escola, mas eu não consegui entrar no clima do livro. Cerca de sete anos depois eu redescobri Hardy, e consumi quatro de seus livros de uma vez. Katniss Everdeen deve seu sobrenome a Bathsheba Everdene, personagem principal de Longe da Multidão Estulta. As duas são muito diferentes, mas ambas lutam para conhecer seus corações.


Qual livro você usaria para matar uma mosca?

Eu tento capturar moscas em xícaras e colocá-las para fora. Depois de escrever Gregor... bem, uma vez que você começa a dar nomes para baratas, você deixa de ser ameaçadora.


Diga-nos quais eram seus livros preferidos na infância.

Sempre amei mitologia, então os primeiros da lista tem que ser Myths and Enchantment Tales, de Margaret Evans Price, que pertenceu à minha mãe quando ela era jovem, e D'Aulaires' Book of Greek Myths. Na ficção, destacam-se Uma Dobra no Tempo, de Madeleine L'Engle; Tudo Depende de Como Você Vê as Coisas, de Norton Juster e Jules Feiffer; e Boris, do autor holandês Jaap ter Haar, que eu ainda acho que é uma das melhores histórias de guerra escritas para crianças. Infelizmente, parece que não é mais publicada neste país.


E quais livros você voltou e releu de novo e de novo?

É embaraçoso admitir quantas vezes eu reli os seguintes: Laços Humanos – Uma Árvore Cresce no Brooklyn, 1984, O Senhor das Moscas, O Coração É Um Caçador Solitário, Germinal, We Have Always Lived in the Castle, e Paris é uma Festa.


Tem algum livro que fez você morrer de medo?

Zona Quente, de Richard Preston. Acabei de ler há algumas semanas. Ainda estou me recuperando.


Tem algum livro que você sempre quis, mas nunca leu?

O Idiota. Eu li várias adaptações teatrais quando trabalhei para a Classic Stage Company, então tenho uma ideia geral da história, mas é uma experiência diferente. E eu amo Dostoyevsky, então tenho vontade de ler desde essa época.


O que você quer ler a seguir?

Ok, bom, agora tem que ser O Idiota. Próximo livro que vou comprar.

 

Fonte: Entertainment Weekly


Mensagem de Suzanne Collins para os f�s

Posted by San Diegirls on August 10, 2010 at 2:09 PM Comments comments (0)

A Scholastic postou hoje no seu blog On Our Minds uma mensagem de Suzanne Collins para os fãs da trilogia Hunger Games, sobre a publicação de Mockingjay (último livro da trilogia):




Caros leitores,


Não posso dizer o quanto estou ansiosa pelo lançamento de Mockingjay em 24 de agosto, e o quanto estou grata por toda a expectativa que tem sido demonstrada. Uma das coisas mais importantes para mim é que todo o mundo poderá experimentar o último livro de Hunger Games ao mesmo tempo, e poderá descobrir o que acontece no livro sem ouvir em outro lugar antes. As notícias viajam rápido, mas eu peço a vocês - antes ou logo após 24 de agosto - que por favor respeitem os outros leitores da série no mundo inteiro e evitem dizer quaisquer spoilers, para que a conclusão da história de Katniss possa acontecer para cada leitor da maneira como deveria.


Estou aguardando ansiosamente 24 de agosto e a vinda de Mockingjay ao mundo. Então (e somente então) que comecem as discussões!


Sinceramente,

Suzanne Collins


Nova entrevista com Suzanne Collins

Posted by San Diegirls on August 9, 2010 at 2:50 PM Comments comments (0)

No começo da semana, o School Library Journal publicou uma entrevista com a autora da série Jogos Vorazes (Hunger Games), Suzanne Collins, falando principalmente sobre o lançamento do terceiro livro da série, Mockingjay. Portanto, CUIDADO, CONTÉM SPOILERS DOS DOIS PRIMEIROS LIVROS. E ALGUNS SPOILERS DA SÉRIE GREGOR. Boa leitura ;D




O suspense está nos matando. Desde que Katniss Everdeen, a heroína arqueira da trilogia Hunger Games de Suzanne Collins, foi arrancada das garras cruéis de um governo impiedoso, não conseguimos parar de pensar sobre a corajosa adolescente do Distrito 12. Que tipo de máquina carnívora, mutante e assassina a aguarda? Como ela pode liderar uma revolta contra uma Capital tão avançada tecnologicamente? E quanto aos seus dois pretendentes –Gale, um antigo companheiro de caçadas, e Peeta Mellark, o altruísta filho do padeiro? Qual deles ela vai escolher finalmente? Ah, as perguntas são intermináveis.


Para nossa sorte, imaginamos que se entrevistássemos Suzanne Collins, ganharíamos uma cópia avançada de Mockingjay, o último livro da série best-seller. Mas logo descobrimos que a Scholastic esqueceu de mencionar uma coisa crucial: Mockingjay está sob embargo. Sem exceções, não senhor! Então não importa o quanto implorássemos, não pudemos persuadir os editores a nos mandar uma cópia antes da data de lançamento de 24 de agosto. E pra tornar as coisas piores, suspeitávamos fortemente que Collins não poderia dizer muito sobre o novo livro. De repente, a entrevista não parecia uma ideia tão boa.


Mas aí lembramos do nosso primeiro encontro com a autora de Connecticut. Era agosto de 2008, e apesar de faltar um mês para o lançamento de Jogos Vorazes, o livro já estava dando muito o que falar a blogueiros e críticos. Mesmo críticos de livros adultos estavam entrando na onda, incluindo o autor Stephen King, que disse que ele não conseguia largar o livro. Parecia que Collins, roteirista de programas de TV como Wow! Wow! Wubbzy! e autora da série de cinco livros “Gregor, o Guerreiro da Superfície”, tinha um hit nas mãos. E quando finalmente nos encontramos com ela, foi uma ótima parceira: atenciosa, encantadora, e surpreendentemente engraçada. E foi isso que, no fim, nos convenceu a continuar a entrevista.


Nós pensamos, E daí? Mesmo que Collins não possa falar sobre seu próximo blockbuster, ela terá alguns insights especiais sobre a série e os personagens. E quem sabe? Talvez, somente talvez, ela deixará escapar algo sobre o livro três...


Somos como “Um Estranho Casal”. Eu não li o livro, e você não pode falar sobre ele.

Eu estava dizendo ao meu marido, “O que eu vou dizer? Não vão deixá-lo ler o livro. E, você sabe, não foi lançado ainda. E o filme [Lionsgate adquiriu os direitos cinematográficos de Jogos Vorazes em 2009] está em um estágio tão inicial – ainda nem recebeu luz verde – eu não tenho muito o que reportar sobre isso. O que vou dizer sobre o livro?” E Cap disse, “Diga que é azul.” [risos] Então, ok, é azul.


Você tinha uma tonalidade específica em mente?

Não posso dizer nada específico sobre o livro. Mas posso dizer que é a história que eu queria contar. Eu lancei a história como uma trilogia, e tematicamente este é o lugar para onde eu estava indo nos livros. Eu realmente espero que signifique algo para o público, que faça-o pensar e sentir as coisas que eu queria. E estou realmente ansiosa para conversar com um grupo que tenha terminado a trilogia. Tem muito que eu não tenho tido possibilidade de discutir, porque daria muitas dicas do final.


Já que seu próximo livro se chama Mockingjay, você gostaria de explicar a origem dessa espécie?

Claro, absolutamente. No passado de Panem, nos Dias Negros, que aconteceram 75 anos atrás quando houve uma rebelião no país, a Capital criou esse pássaro em seus laboratórios, chamado jabberjay [tordos, na tradução brasileira]. Era só um pequeno pássaro preto, e tinha uma crista. Mas era alterado geneticamente para que pudesse essencialmente gravar o que ouvia. Então eles eram enviados para áreas de floresta onde havia rebeldes, e gravavam os diálogos. Eles então voavam para casa e recitavam o que tinham ouvido.


Bem, os rebeldes perceberam o que estava acontecendo, e começaram a encher os jabberjays de informações falsas. E em algum ponto, a Capital percebeu isso e abandonou os jabberjays nas matas, pensando que eles iriam simplesmente morrer. Mas ao invés disso, eles acasalaram com fêmeas de mockingbirds, e essa nova espécie foi criada, que são os mockingjays [gaios tagarelas, na tradução brasileira].


Agora, o negócio dos mockingjays é que eles nunca deveriam ter sido criados. Eles não faziam parte dos desígnios da Capital. Então aí está essa criatura que a Capital nunca teve intenção de criar, e através do desejo de sobrevivência, essa criatura existe. E então eles procriaram, e agora existem mockingjays em todos os lugares.


O que isso tem a ver com Katniss?

Simbolicamente, suponho, Katniss é algo como um mockingjay por si só. Ela é uma garota que não deveria existir. E a razão de ela existir é por ser do Distrito 12, que é tipo a piada de todos os 12 distritos de Panem. A Capital é relaxada lá. A segurança é muito menor. Os pacificadores, que são a força policial, ainda são a lei, e ainda são ameaçadores, mas eles se misturam mais à população no Distrito 12 do que nos outros distritos. E também coisas como a cerca ao redor do distrito, que não é eletrificada o tempo inteiro.


Por causa desses lapsos de segurança e pela Capital achar que o 12 nunca será uma ameaça de qualquer maneira, por ser pequeno e pobre, eles criam um ambiente em que Katniss se desenvolve, em que ela é criada, essa garota que passa por baixo da cerca não-eletrificada, e aprende a ser uma caçadora. Não só isso, ela é uma sobrevivente, e com isso existe um grau de pensamento independente que é incomum nos distritos.


Então nós a temos chegando à arena no primeiro livro, não somente equipada como alguém que pode se manter viva nesse ambiente – e depois que consegue arco e flechas, pode ser letal – mas também como alguém que já pensa fora da caixa simplesmente porque eles não têm prestado atenção ao Distrito 12. Então dessa maneira também, Katniss é o mockingjay. Ela é aquilo que nunca deveria ter sido criado, que a Capital nunca quis que acontecesse. Da mesma maneira que eles soltaram os jabberjays e pensaram, “Não temos que nos preocupar com eles,” pensaram, “Não temos que nos preocupar com o Distrito 12.” E essa nova criatura evoluiu, o mockingjay, Katniss.


Essa é uma análise fascinante.

Bem, tudo que eu acabei de falar sobre Katniss nunca é realmente expresso nos livros. Não acho que alguém já tenha dito o que eu falei. Só estou comentando o paralelo simbólico ali. Agora você tem um ângulo para sua história.


Graças a Deus!

Graçasa Deus! O que nós iríamos fazer?


Isso não é tão importante, mas estou curioso: Por que o hálito do Presidente Snow tem cheiro de sangue?

Oh, não posso lhe contar isso. [risos] Eu entendi o que você fez aqui. Você me fez começar a falar empolgada, e aí você tem essa lista de perguntas sobre o livro três que está tentando incluir.


Quem, eu?

Você acha que eu poderia responder isso?


Na verdade, a entrevista inteira tem cuidadosamente levado a essa pergunta.

[risos] Bom, eu não posso dizer de jeito nenhum. Realmente não posso. Mas você está certo. Isso será respondido no livro três. Direi isso,ok? Pode ser sua manchete.


Isso é um furo do SLJ?

Sim.[risos]


Acabei de reler os dois primeiros livros da série, e é uma história incrível. Mas o que realmente me impressionou foi quão bem escrita ela é.

Oh,obrigada. Não posso ser objetiva quanto a isso. Você sabe, boa parte da minha carreira é com roteiros, então ainda me sinto muito nova no campo de livros e prosa. A prosa é cheia de desafios e territórios inexplorados para mim porque comecei mais tarde. Talvez todo mundo se sinta assim, mesmo que tenham começado com prosa. Mas para mim, grande parte tem uma sensação de novidade, ou de “Como eu faço isso?”. Quer dizer, já escrevi a série Gregor e agora três livros com Katniss, e em nenhuma das duas séries eu saio do protagonista. Nunca fiz várias vozes ou pontos de vista. Existem mundos de coisas a aprender.


É mais fácil para você escrever diálogos do que descrições?

Ah sim.Tenho trabalhado como roteirista por 27 anos, e com livros por talvez 10 anos agora. Acho que comecei o primeiro Gregor (Gregor, o Guerreiro da Superfície), quando tinha 38 anos. Eu passava pelas cenas de diálogo e ação rapidamente. Isso é ótimo, isso é como roteiros. Mas sempre que chegava a uma passagem descritiva, era como bater numa parede. Lembro particularmente que há um momento no começo em que Gregor anda através de uma cortina de mariposas, e vê pela primeira vez a cidade subterrânea de Regalia. Então é uma cena descrevendo a cidade. Uau, isso levou muito tempo para escrever! Depois voltei e li de novo. São só uns dois parágrafos. Isso me matou. Levou uma eternidade.


Ainda é uma luta para você escrever essas cenas?

À medida que o tempo passa, descrições se tornam mais fáceis. Scripts são essencialmente diálogo e indicações cênicas. E então você confia no seu diretor, atores e designers para trazer vários detalhes físicos e emocionais à história. Mas em um livro, tudo depende de você. Eu finalmente aceitei que nenhum designer vai aparecer e cuidar das descrições por mim, então tenho que escrevê-las.


Mas aqui está a parte boa de escrever livros ao invés de roteiros: não há problemas de orçamento. Ninguém vai lhe dizer que não podem bancar o set, ou o deslocamento para uma locação, ou um efeito especial, e você não vai escrever uma cena que na sua mente se passa na savana africana e há bandos de animais passando, e, depois de tudo, você acaba com uma girafa e um leão. [risos] Isso aconteceu comigo uma vez, em uma animação. E eles ficaram tipo, “Suzanne, não é O Rei Leão.” E eu tipo, “Eu sei, mas eu tinha essa imagem...”


Em uma nota mais séria, seus últimos oito livros têm examinado de perto os efeitos da guerra e violência em crianças. Por que você é tão obcecada por esse tópico?

Isso definitivamente remete à minha infância. Meu pai era da Força Aérea. Ele passou trinta e poucos anos lá. Ele também era um veterano da Guerra do Vietnã. Ele esteve lá quando eu tinha seis anos. Além disso, no entanto, ele era doutor em ciências políticas, especialista militar, e historiador; era um homem muito inteligente. E ele sentia que era parte de sua responsabilidade ensinar a nós, seus filhos, sobre história e guerra. Quando eu penso no passado, no centro de tudo isso está a questão de o que faz uma guerra ser necessária – até que ponto é justificada ou inevitável?


Deixe-me entender isso. Você é uma criança pequena e seu pai discute o valor filosófico da guerra com você e seus três irmãos?

Claro! Uma das minhas primeiras memórias é estar em West Point [escola militar e forte do Exército dos Estados Unidos] e observar o treinamento dos cadetes. Se você fosse a um local onde ocorreu uma batalha com meu pai, você ouviria o que levou à batalha. Você ouviria sobre a guerra. Ele reencenaria a batalha para você, verbalmente, e depois as consequências dela.


E tendo participado de uma guerra e vindo de uma família que tinha um irmão na Segunda Guerra Mundial e um pai na Primeira Guerra Mundial, essas não eram questões distantes ou acadêmicas pra ele. Eram acadêmicas, mas também eram muito pessoais. Ele discutiria esses tópicos em um nível que ele achava que entenderíamos e que era aceitável para nossa idade. Mas, na verdade, ele achava que muita coisa era apropriada para nossa idade, e eu tenho a mesma postura nos meus livros.


Como assim?

Quero dizer, muitas coisas acontecem em Gregor. Aqueles livros são para – o quê? - crianças de 9 a 12 ou 9 a 14 anos? Há terrorismo biológico no terceiro livro. Genocídio no quarto livro. Uma guerra bastante gráfica no quinto livro. Mas eu sentia que se meu público me acompanha desde o primeiro livro, ele seria capaz de entender isso dentro do contexto. E eu sinto o mesmo sobre a série Hunger Games.


Você sabe, tenho dois filhos, então posso pensar, “Tudo bem, como eu diria isso a eles?” Muito foi discutido comigo desde bem jovem. Para algumas pessoas, ambas as séries são fantasia; algumas pessoas classificam como ficção científica. Para mim, são, primeira e principalmente, histórias de guerra.


Um dos aspectos mais perturbadores dos Jogos Vorazes é que crianças são forçadas a assassinar outras crianças ao vivo em rede nacional. Não consigo pensar em outra série que tenha tanta violência entre jovens.

Bom, a questão é, o que quer que eu escreva, não importa se é para a TV ou se são livros, mesmo que eu esteja escrevendo para crianças na Educação Infantil, eu quero que o protagonista seja da idade da audiência. Então não vou escrever uma história de guerra para crianças e colocá-las no plano de fundo. Se eu escrevo uma história de guerra para crianças, então elas serão as guerreiras.


E se for uma história de gladiadores – que é como Jogos Vorazes começou, eu diria que é essencialmente uma história de gladiadores – então as crianças serão os gladiadores. Elas não serão colocadas de lado. Elas serão participantes ativas. Haverão personagens adultos, mas você experienciará isso por meio de alguém que tem a idade do público-alvo.


Seus livros têm uma forte mensagem de que os adultos estragaram bastante o mundo, e as crianças são a única esperança de futuro.

Absolutamente. Não consigo lembrar o quanto falamos sobre Teseu e o Minotauro da última vez que conversamos, mas Teseu e o Minotauro é a estrutura básica para o começo de Jogos Vorazes, você sabe, com a lenda de Minos de Creta...


Certo. Como punição, Minos ordenou que os atenienses jogassem sete garotos e sete garotas no labirinto para serem devorados pelo Minotauro – até que Teseu finalmente matou o monstro. Eu lembro que você falou que, aos oito anos de idade, você ficou horrorizada que Creta fosse tão cruel – e que, de seu modo, Katniss é um Teseu futurista.

Mas uma vez que a história de Jogos Vorazes realmente começa, eu diria quea figura histórica de Espártaco se torna um modelo mais preciso para o arco dos três livros, para Katniss. Não sabemos muitos detalhes de sua vida, mas havia esse cara chamado Espártaco, que era um gladiador que escapou da arena e liderou uma rebelião contra um governo opressivo que levou ao que é conhecido como Terceira Guerra Servil. Ele causou muitos problemas aos romanos. E, no final, ele morreu.


O que você espera que leitores jovens levem dos seus livros?

Uma das razões que tornam importante escrever sobre guerra é que eu realmente acho que o conceito de guerra, as especificidades da guerra, a natureza da guerra, as ambigüidades éticas da guerra são apresentadas muito tarde para crianças. Acho que elas podem ouvi-las, entendê-las, saber sobre elas, bem mais jovens, sem morrerem de medo por causa das histórias. Não é confortável para nós falar sobre isso, então normalmente não conversamos sobre isso com nossos filhos. Mas eu sinto que se todo o conceito de guerra fosse apresentado às crianças mais cedo, teríamos um melhor diálogo sobre isso, e teríamos um entendimento mais completo.


Esses diálogos podem ajudar a dar um fim às guerras?

Eventualmente, você espera. Obviamente, não estamos em uma posição no momento para que a erradicação das guerras pareça com algo que não um sonho distante. Mas em certo ponto, a erradicação de mercados de escravos nos Estados Unidos também parecia distante. Quero dizer, as pessoas têm que começar em algum lugar. Nós podemos mudar. Nós podemos evoluir como uma espécie. Não é simples, e é um processo longo e lento, mas podemos ter esperança.

 

 

 


 

Fonte: School Library Journal


Traduzido por Ana Carla

Jogos Vorazes

Posted by San Diegirls on June 11, 2010 at 1:05 PM Comments comments (0)



Título: Jogos Vorazes (The Hunger Games)

Autor(a): Suzanne Collins

Editora: Rocco

Número de páginas: 400


Nas ruínas de um local anteriormente conhecido como América do Norte, está a nação de Panem, uma Capital brilhante rodeada por doze distritos. A Capital é dura e cruel, e mantém os distritos na linha forçando-os a enviar um casal de adolescentes uma vez por ano para participarem dos Jogos Vorazes, uma luta até a morte transmitida ao vivo pela TV.


Katniss é uma garota de 16 anos que mora com sua mãe e irmã no distrito mais pobre de Panem. Quando sua irmã de 12 anos é escolhida para ser uma participante dos Jogos, Katniss se oferece para substituí-la; ela encara esse fato como uma sentença de morte. Mas Katniss já esteve bem perto da morte antes - e sobreviveu.




 

 

Jogos Vorazes é o tipo de livro que não me atrai só pela sinopse – 24 adolescentes lutando pelas suas vidas, survivor-style, sabendo que só um deles sobreviverá no fim? Eu, como uma pessoa que se apega a personagens mais do que seria saudável, penso logo no meu sofrimento ao ver algum deles morrer. Porém, uma vez que você começa o livro, simplesmente não dá mais para parar. Suzanne Collins escreve de tal maneira que o livro nunca fica parado, ou mesmo tranquilo. Desde o começo, Katniss está em perigo. Ela sabe que tem grandes chances de ir para os Jogos. E ela costuma caçar para alimentar sua família, e isso é proibido pela Capital – logo, ela está constantemente correndo risco de vida, já que a caça tem pena de morte.

 

Katniss é uma heroína que merece ser chamada assim. Ela é forte o bastante pra tornar-se líder e provedora de sua pequena família ainda criança, quando seu pai morreu, sua mãe não suportou a dor e sua irmã era jovem demais para fazer algo quanto a isso. É forte o bastante pra sacrificar qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – pela irmã. E mesmo assim, parece realista. Ela tem suas falhas também, não é perfeita. Mas se alguém reclamar de heroínas fracas e sem personalidade em YA mais uma vez pra mim, simplesmente apresentarei Katniss.


Assim como Kat, os outros personagens também parecem reais – e sim, você acaba se apegando aos outros tributos. É inevitável, e também emocionante.


Os Jogos, por sua vez, são cruéis. Não dá pra não lembrar dos nossos reality shows. Pegue um reality atual, adicione uma guerra e uma sociedade dessensibilizada (que a nossa está próxima de ser), e líderes sádicos, e pronto: a realidade de Panem não parece mais tão distante da nossa.

 

E,como a maioria dos livros YA por aí, tem algum romance. Mas aqui ele não só não é o foco principal do livro, o romance também passa a ser estratégia de sobrevivência. Ainda é fofo o bastante pra fazer as leitoras se apaixonarem pelo interesse amoroso, mas nunca se sabe se é real ou somente uma questão de estratégia. Principalmente considerando que vemos tudo pelo ponto de vista de Katniss, que desconfiava de tudo e de todos antes mesmo de entrar nos Jogos.

 

Jogos Vorazes é, exatamente como nossa imagem das cinco estrelinhas sorridentes diz, um livro que fica na sua mente por semanas. Imaginando possíveis consequências para o final do livro. Pensando nos personagens. Imaginando a Capital e os Distritos. Relembrando alguns acontecimentos-chave. Portanto, uma dica: leia quando estiver com o tempo um pouco vago. Porque você não vai querer parar antes de acabar o livro.


Resenha por Ana Carla

 


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