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Nova entrevista com Suzanne Collins

Posted by San Diegirls on August 9, 2010 at 2:50 PM

No começo da semana, o School Library Journal publicou uma entrevista com a autora da série Jogos Vorazes (Hunger Games), Suzanne Collins, falando principalmente sobre o lançamento do terceiro livro da série, Mockingjay. Portanto, CUIDADO, CONTÉM SPOILERS DOS DOIS PRIMEIROS LIVROS. E ALGUNS SPOILERS DA SÉRIE GREGOR. Boa leitura ;D




O suspense está nos matando. Desde que Katniss Everdeen, a heroína arqueira da trilogia Hunger Games de Suzanne Collins, foi arrancada das garras cruéis de um governo impiedoso, não conseguimos parar de pensar sobre a corajosa adolescente do Distrito 12. Que tipo de máquina carnívora, mutante e assassina a aguarda? Como ela pode liderar uma revolta contra uma Capital tão avançada tecnologicamente? E quanto aos seus dois pretendentes –Gale, um antigo companheiro de caçadas, e Peeta Mellark, o altruísta filho do padeiro? Qual deles ela vai escolher finalmente? Ah, as perguntas são intermináveis.


Para nossa sorte, imaginamos que se entrevistássemos Suzanne Collins, ganharíamos uma cópia avançada de Mockingjay, o último livro da série best-seller. Mas logo descobrimos que a Scholastic esqueceu de mencionar uma coisa crucial: Mockingjay está sob embargo. Sem exceções, não senhor! Então não importa o quanto implorássemos, não pudemos persuadir os editores a nos mandar uma cópia antes da data de lançamento de 24 de agosto. E pra tornar as coisas piores, suspeitávamos fortemente que Collins não poderia dizer muito sobre o novo livro. De repente, a entrevista não parecia uma ideia tão boa.


Mas aí lembramos do nosso primeiro encontro com a autora de Connecticut. Era agosto de 2008, e apesar de faltar um mês para o lançamento de Jogos Vorazes, o livro já estava dando muito o que falar a blogueiros e críticos. Mesmo críticos de livros adultos estavam entrando na onda, incluindo o autor Stephen King, que disse que ele não conseguia largar o livro. Parecia que Collins, roteirista de programas de TV como Wow! Wow! Wubbzy! e autora da série de cinco livros “Gregor, o Guerreiro da Superfície”, tinha um hit nas mãos. E quando finalmente nos encontramos com ela, foi uma ótima parceira: atenciosa, encantadora, e surpreendentemente engraçada. E foi isso que, no fim, nos convenceu a continuar a entrevista.


Nós pensamos, E daí? Mesmo que Collins não possa falar sobre seu próximo blockbuster, ela terá alguns insights especiais sobre a série e os personagens. E quem sabe? Talvez, somente talvez, ela deixará escapar algo sobre o livro três...


Somos como “Um Estranho Casal”. Eu não li o livro, e você não pode falar sobre ele.

Eu estava dizendo ao meu marido, “O que eu vou dizer? Não vão deixá-lo ler o livro. E, você sabe, não foi lançado ainda. E o filme [Lionsgate adquiriu os direitos cinematográficos de Jogos Vorazes em 2009] está em um estágio tão inicial – ainda nem recebeu luz verde – eu não tenho muito o que reportar sobre isso. O que vou dizer sobre o livro?” E Cap disse, “Diga que é azul.” [risos] Então, ok, é azul.


Você tinha uma tonalidade específica em mente?

Não posso dizer nada específico sobre o livro. Mas posso dizer que é a história que eu queria contar. Eu lancei a história como uma trilogia, e tematicamente este é o lugar para onde eu estava indo nos livros. Eu realmente espero que signifique algo para o público, que faça-o pensar e sentir as coisas que eu queria. E estou realmente ansiosa para conversar com um grupo que tenha terminado a trilogia. Tem muito que eu não tenho tido possibilidade de discutir, porque daria muitas dicas do final.


Já que seu próximo livro se chama Mockingjay, você gostaria de explicar a origem dessa espécie?

Claro, absolutamente. No passado de Panem, nos Dias Negros, que aconteceram 75 anos atrás quando houve uma rebelião no país, a Capital criou esse pássaro em seus laboratórios, chamado jabberjay [tordos, na tradução brasileira]. Era só um pequeno pássaro preto, e tinha uma crista. Mas era alterado geneticamente para que pudesse essencialmente gravar o que ouvia. Então eles eram enviados para áreas de floresta onde havia rebeldes, e gravavam os diálogos. Eles então voavam para casa e recitavam o que tinham ouvido.


Bem, os rebeldes perceberam o que estava acontecendo, e começaram a encher os jabberjays de informações falsas. E em algum ponto, a Capital percebeu isso e abandonou os jabberjays nas matas, pensando que eles iriam simplesmente morrer. Mas ao invés disso, eles acasalaram com fêmeas de mockingbirds, e essa nova espécie foi criada, que são os mockingjays [gaios tagarelas, na tradução brasileira].


Agora, o negócio dos mockingjays é que eles nunca deveriam ter sido criados. Eles não faziam parte dos desígnios da Capital. Então aí está essa criatura que a Capital nunca teve intenção de criar, e através do desejo de sobrevivência, essa criatura existe. E então eles procriaram, e agora existem mockingjays em todos os lugares.


O que isso tem a ver com Katniss?

Simbolicamente, suponho, Katniss é algo como um mockingjay por si só. Ela é uma garota que não deveria existir. E a razão de ela existir é por ser do Distrito 12, que é tipo a piada de todos os 12 distritos de Panem. A Capital é relaxada lá. A segurança é muito menor. Os pacificadores, que são a força policial, ainda são a lei, e ainda são ameaçadores, mas eles se misturam mais à população no Distrito 12 do que nos outros distritos. E também coisas como a cerca ao redor do distrito, que não é eletrificada o tempo inteiro.


Por causa desses lapsos de segurança e pela Capital achar que o 12 nunca será uma ameaça de qualquer maneira, por ser pequeno e pobre, eles criam um ambiente em que Katniss se desenvolve, em que ela é criada, essa garota que passa por baixo da cerca não-eletrificada, e aprende a ser uma caçadora. Não só isso, ela é uma sobrevivente, e com isso existe um grau de pensamento independente que é incomum nos distritos.


Então nós a temos chegando à arena no primeiro livro, não somente equipada como alguém que pode se manter viva nesse ambiente – e depois que consegue arco e flechas, pode ser letal – mas também como alguém que já pensa fora da caixa simplesmente porque eles não têm prestado atenção ao Distrito 12. Então dessa maneira também, Katniss é o mockingjay. Ela é aquilo que nunca deveria ter sido criado, que a Capital nunca quis que acontecesse. Da mesma maneira que eles soltaram os jabberjays e pensaram, “Não temos que nos preocupar com eles,” pensaram, “Não temos que nos preocupar com o Distrito 12.” E essa nova criatura evoluiu, o mockingjay, Katniss.


Essa é uma análise fascinante.

Bem, tudo que eu acabei de falar sobre Katniss nunca é realmente expresso nos livros. Não acho que alguém já tenha dito o que eu falei. Só estou comentando o paralelo simbólico ali. Agora você tem um ângulo para sua história.


Graças a Deus!

Graçasa Deus! O que nós iríamos fazer?


Isso não é tão importante, mas estou curioso: Por que o hálito do Presidente Snow tem cheiro de sangue?

Oh, não posso lhe contar isso. [risos] Eu entendi o que você fez aqui. Você me fez começar a falar empolgada, e aí você tem essa lista de perguntas sobre o livro três que está tentando incluir.


Quem, eu?

Você acha que eu poderia responder isso?


Na verdade, a entrevista inteira tem cuidadosamente levado a essa pergunta.

[risos] Bom, eu não posso dizer de jeito nenhum. Realmente não posso. Mas você está certo. Isso será respondido no livro três. Direi isso,ok? Pode ser sua manchete.


Isso é um furo do SLJ?

Sim.[risos]


Acabei de reler os dois primeiros livros da série, e é uma história incrível. Mas o que realmente me impressionou foi quão bem escrita ela é.

Oh,obrigada. Não posso ser objetiva quanto a isso. Você sabe, boa parte da minha carreira é com roteiros, então ainda me sinto muito nova no campo de livros e prosa. A prosa é cheia de desafios e territórios inexplorados para mim porque comecei mais tarde. Talvez todo mundo se sinta assim, mesmo que tenham começado com prosa. Mas para mim, grande parte tem uma sensação de novidade, ou de “Como eu faço isso?”. Quer dizer, já escrevi a série Gregor e agora três livros com Katniss, e em nenhuma das duas séries eu saio do protagonista. Nunca fiz várias vozes ou pontos de vista. Existem mundos de coisas a aprender.


É mais fácil para você escrever diálogos do que descrições?

Ah sim.Tenho trabalhado como roteirista por 27 anos, e com livros por talvez 10 anos agora. Acho que comecei o primeiro Gregor (Gregor, o Guerreiro da Superfície), quando tinha 38 anos. Eu passava pelas cenas de diálogo e ação rapidamente. Isso é ótimo, isso é como roteiros. Mas sempre que chegava a uma passagem descritiva, era como bater numa parede. Lembro particularmente que há um momento no começo em que Gregor anda através de uma cortina de mariposas, e vê pela primeira vez a cidade subterrânea de Regalia. Então é uma cena descrevendo a cidade. Uau, isso levou muito tempo para escrever! Depois voltei e li de novo. São só uns dois parágrafos. Isso me matou. Levou uma eternidade.


Ainda é uma luta para você escrever essas cenas?

À medida que o tempo passa, descrições se tornam mais fáceis. Scripts são essencialmente diálogo e indicações cênicas. E então você confia no seu diretor, atores e designers para trazer vários detalhes físicos e emocionais à história. Mas em um livro, tudo depende de você. Eu finalmente aceitei que nenhum designer vai aparecer e cuidar das descrições por mim, então tenho que escrevê-las.


Mas aqui está a parte boa de escrever livros ao invés de roteiros: não há problemas de orçamento. Ninguém vai lhe dizer que não podem bancar o set, ou o deslocamento para uma locação, ou um efeito especial, e você não vai escrever uma cena que na sua mente se passa na savana africana e há bandos de animais passando, e, depois de tudo, você acaba com uma girafa e um leão. [risos] Isso aconteceu comigo uma vez, em uma animação. E eles ficaram tipo, “Suzanne, não é O Rei Leão.” E eu tipo, “Eu sei, mas eu tinha essa imagem...”


Em uma nota mais séria, seus últimos oito livros têm examinado de perto os efeitos da guerra e violência em crianças. Por que você é tão obcecada por esse tópico?

Isso definitivamente remete à minha infância. Meu pai era da Força Aérea. Ele passou trinta e poucos anos lá. Ele também era um veterano da Guerra do Vietnã. Ele esteve lá quando eu tinha seis anos. Além disso, no entanto, ele era doutor em ciências políticas, especialista militar, e historiador; era um homem muito inteligente. E ele sentia que era parte de sua responsabilidade ensinar a nós, seus filhos, sobre história e guerra. Quando eu penso no passado, no centro de tudo isso está a questão de o que faz uma guerra ser necessária – até que ponto é justificada ou inevitável?


Deixe-me entender isso. Você é uma criança pequena e seu pai discute o valor filosófico da guerra com você e seus três irmãos?

Claro! Uma das minhas primeiras memórias é estar em West Point [escola militar e forte do Exército dos Estados Unidos] e observar o treinamento dos cadetes. Se você fosse a um local onde ocorreu uma batalha com meu pai, você ouviria o que levou à batalha. Você ouviria sobre a guerra. Ele reencenaria a batalha para você, verbalmente, e depois as consequências dela.


E tendo participado de uma guerra e vindo de uma família que tinha um irmão na Segunda Guerra Mundial e um pai na Primeira Guerra Mundial, essas não eram questões distantes ou acadêmicas pra ele. Eram acadêmicas, mas também eram muito pessoais. Ele discutiria esses tópicos em um nível que ele achava que entenderíamos e que era aceitável para nossa idade. Mas, na verdade, ele achava que muita coisa era apropriada para nossa idade, e eu tenho a mesma postura nos meus livros.


Como assim?

Quero dizer, muitas coisas acontecem em Gregor. Aqueles livros são para – o quê? - crianças de 9 a 12 ou 9 a 14 anos? Há terrorismo biológico no terceiro livro. Genocídio no quarto livro. Uma guerra bastante gráfica no quinto livro. Mas eu sentia que se meu público me acompanha desde o primeiro livro, ele seria capaz de entender isso dentro do contexto. E eu sinto o mesmo sobre a série Hunger Games.


Você sabe, tenho dois filhos, então posso pensar, “Tudo bem, como eu diria isso a eles?” Muito foi discutido comigo desde bem jovem. Para algumas pessoas, ambas as séries são fantasia; algumas pessoas classificam como ficção científica. Para mim, são, primeira e principalmente, histórias de guerra.


Um dos aspectos mais perturbadores dos Jogos Vorazes é que crianças são forçadas a assassinar outras crianças ao vivo em rede nacional. Não consigo pensar em outra série que tenha tanta violência entre jovens.

Bom, a questão é, o que quer que eu escreva, não importa se é para a TV ou se são livros, mesmo que eu esteja escrevendo para crianças na Educação Infantil, eu quero que o protagonista seja da idade da audiência. Então não vou escrever uma história de guerra para crianças e colocá-las no plano de fundo. Se eu escrevo uma história de guerra para crianças, então elas serão as guerreiras.


E se for uma história de gladiadores – que é como Jogos Vorazes começou, eu diria que é essencialmente uma história de gladiadores – então as crianças serão os gladiadores. Elas não serão colocadas de lado. Elas serão participantes ativas. Haverão personagens adultos, mas você experienciará isso por meio de alguém que tem a idade do público-alvo.


Seus livros têm uma forte mensagem de que os adultos estragaram bastante o mundo, e as crianças são a única esperança de futuro.

Absolutamente. Não consigo lembrar o quanto falamos sobre Teseu e o Minotauro da última vez que conversamos, mas Teseu e o Minotauro é a estrutura básica para o começo de Jogos Vorazes, você sabe, com a lenda de Minos de Creta...


Certo. Como punição, Minos ordenou que os atenienses jogassem sete garotos e sete garotas no labirinto para serem devorados pelo Minotauro – até que Teseu finalmente matou o monstro. Eu lembro que você falou que, aos oito anos de idade, você ficou horrorizada que Creta fosse tão cruel – e que, de seu modo, Katniss é um Teseu futurista.

Mas uma vez que a história de Jogos Vorazes realmente começa, eu diria quea figura histórica de Espártaco se torna um modelo mais preciso para o arco dos três livros, para Katniss. Não sabemos muitos detalhes de sua vida, mas havia esse cara chamado Espártaco, que era um gladiador que escapou da arena e liderou uma rebelião contra um governo opressivo que levou ao que é conhecido como Terceira Guerra Servil. Ele causou muitos problemas aos romanos. E, no final, ele morreu.


O que você espera que leitores jovens levem dos seus livros?

Uma das razões que tornam importante escrever sobre guerra é que eu realmente acho que o conceito de guerra, as especificidades da guerra, a natureza da guerra, as ambigüidades éticas da guerra são apresentadas muito tarde para crianças. Acho que elas podem ouvi-las, entendê-las, saber sobre elas, bem mais jovens, sem morrerem de medo por causa das histórias. Não é confortável para nós falar sobre isso, então normalmente não conversamos sobre isso com nossos filhos. Mas eu sinto que se todo o conceito de guerra fosse apresentado às crianças mais cedo, teríamos um melhor diálogo sobre isso, e teríamos um entendimento mais completo.


Esses diálogos podem ajudar a dar um fim às guerras?

Eventualmente, você espera. Obviamente, não estamos em uma posição no momento para que a erradicação das guerras pareça com algo que não um sonho distante. Mas em certo ponto, a erradicação de mercados de escravos nos Estados Unidos também parecia distante. Quero dizer, as pessoas têm que começar em algum lugar. Nós podemos mudar. Nós podemos evoluir como uma espécie. Não é simples, e é um processo longo e lento, mas podemos ter esperança.

 

 

 


 

Fonte: School Library Journal


Traduzido por Ana Carla

Categories: Suzanne Collins, Noti´┐Żcias, Distrito 13

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